Quase

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ...
e tudo errou...
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais,
falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aqúem.



Mário de Sá-Carneiro


icantbelieve

5 comentários:

NunoSioux disse...

Grande Homem esse sr!!!


Abraço

anatcat disse...

"Patience, patience
Patience dans lázur!
Chaque atome de silence
Est la chance d'un frit mur."

(Paul Valéry - mas lembrei só porque fui revisitar o livro Um Pouco Mais de Azul de Hubert Reeves quando me relembras-te o poema de Mário de Sá Carneiro)

Sentir disse...

Nuno é maior do que supunha.

Anat o azul manchou pra sempre minha vida.

Alien David Sousa disse...

Como detesto o "quase" ;)

Sim senhora :D
Beijinhos linda

Sentir disse...

Alien é tão tedioso quanto o "por pouco": nos mata na unha. :'|