Nas bocas


Ainda não assisti ao tal DVD (pirateado) do filme que circula pelas bocas, quando é possível, prefiro cinema. Não que seja politicamente correta, tenho pequenas reservas ao que dizem produto pirata, atrevo-me a chamar mídia super-alternativa ou independente a baixo custo. Consumo vorazmente os arquivos (não autorizados) disponíveis na web, não concordo apenas, que sejam vendidos - que fique claro.
Estou meio emputecida por não participar dos papos sobre o filme, o que alivia é não gostar muito da temática (a realidade nua e crua é dura demais para descer goela abaixo, nas rodas de milkshake e pipoca). Ando curiosa na verdade para saber se o “fenômeno do momento” está vendendo tanto por ser fresquinho ou se pelo fato de ser fresquinho está vendendo tanto. É verdade que o brasileiro adora uma novidade (que logo substitui por outra), filme de guerrilha então, hum! Para a química ser perfeita, junta-se: ação, destruição, tiroteio, sangue, injustiças, luta do bem contra o mal, um cenário local e figurões conhecidos. Mas, ainda penso que o fato do DVD pirata ter o custo médio de 3,00R$ deve ser o fator decisivo, é obvio.
Coincidências à parte, a persona do filme, Wagner Moura, está na crista, figura global em alta, naturalmente garantiria a procura pelo filme. A maioria dos espectadores brasileiros freqüenta as salas não pelos diálogos ou mensagem, mas, sim pelas caras e bundas dos atores (até por isso leva pouco pra vida do que vê ou lê). Será que o filme foi estrategicamente programado para ser lançado no final da novela em que o dito atuava ou apenas rolou outro acaso?
Acredito tanto na força do marketing que não vejo fatalidade no fato do filme já ter audiência aproximada de 10% da população brasileira, antes da estréia. É inegável que os meios tradicionais já se rendam a força dos alternativos e lucrem indiretamente com o investimento zero dos independentes. Se há prejuízo, é por parte das indústrias (quem gosta de cinema vai ao cinema, colecionador não compra pirataria – nossa industria cinematográfica reclama e a China ri à toa), quanto aos artistas é uma ótima, nem precisam pagar jabás para ter o nome divulgado em rádio ou tv, tornam-se ainda mais conhecidos pois penetram por outras vias na camada mais excluída da população. E cá entre nós, o boca-a-boca provocado pela massa é um vírus fatal, dificilmente o estrategista imagina o contrário quando inocula a idéia e aguarda a epidemia tomar conta do povão.
Vitimado por seu tema, o filme trata além da pirataria, da rede de corrupção e violência da polícia brasileira - nada de novo desde a ditadura. Nem mesmo o fato de sofrer semelhante fenômeno o diferencia de outros folhetins em movimento. O que é novo, pelo menos para mim, é o diretor dizer que até a semana passada não havia investido um único real na divulgação do filme. Curioso?! Nada! Com a estréia prevista para dia 12/10/2007, todo o alvoroço em torno do "Tropa de Elite", foi provocado pelos elementos que ele traz. Um dos preços pagos por quase tudo na sociedade, acabamos vitima do produto. Somos fruto do meio.

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