o dia escorre. morre tosco, quente, vazio, e como eu, estala a cada instante. por tédio puro e hábito seguro, navego em mim. antes nau, agora areia. sigo cega o rumo que conheço. fazendo redemoinhos no umbigo, relembro do teu último naufrágio ali. encubro com nuvens gris as serras douradas daquele sentimento. quase verto no desejo da lágrima. mas, estou ilhada, longe do sal, e das águas. o mar. amar. nas toras da saudade ancora a ausência tua. no meu porto seco, impera erosão em minhas veredas. abandono. sertão do esquecimento. sou cenário inóspito. estação dos troncos expostos. me mostro madeira retorcida, tortuosa, dura e vivente. cerrado que me tornei, anoiteço ainda dia. casca grossa. lascas de agonia. meu ventre é pó, poeira, terra batida. relva aparentemente morta. sou chão rachado do pisoteio efêmero. lugar que esconde muito. e no muito adentra. onde há dentro vida. assim vive. sobrevive a maturar. solo que brota fácil. do teu amor vigia aquela gota para renascer, e crescer estanque nas tuas cheias.

3 comentários:

Lord of Erewhon disse...

Publica, cada vez mais o que escreves é literatura maior!

Sentir disse...

Lord;
vindo de ti,
tal comentário
é "luz máxima".

obrigada.

Alien David Sousa disse...

Amei.
Beijinjos linda