Calo para me ouvir.
Ouço,
não ouço
meu timbre sem emoção.

Quero me cantar,
me falta poesia.
Falta rima.
Sincronia.
Falta minha canção.

Desenho a base.
Marco meu próprio compasso.
Nunca fui tão pé no chão.

Dissonante à minha natureza.
Sôo forçado.
Preso.
Parado.
Sôo um não eu.
Um inventado.
Sôo calado.
Mudo.
Cantado pra dentro.
Abafado.
Sem brilho.
Som sem cor.
Música vulgar.
Letra não minha.

Meu corpo já não canta.
Vibra acordes soltos.
Ora graves, ora agudos.
Vai sem ritmo.
Sem composição.
Nem cromatismo.
No improviso da razão.

Muda em meu peito,
descubro que em mim
não existe silêncio absoluto.
Que mesmo oco e vazio meu ser
tilintam nele notas descompassadas.

Então, escuto meus versos:
Me afine.
Me toque.
Me cante.
Preciso fazer quem me ouve feliz.

2 comentários:

Anônimo disse...

se pedir toco, canto, danço, sapateio. ainda te faço feliz. *

Sentir disse...

Anônimo;

agradeço sua interessante proposta.

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